Edifício Mesbla, no Centro, é finalmente vendido e vai ser residencial29/01/2025 - A edificação foi vendida por 21,7 milhões e foi licenciada pelo Reviver Centro para ter 122 apartamentos e duas unidades comerciais, somando 15,5 mil m² de área total construída
O prédio – que se subdivide em dois, o 42 e o 56 – um marco arquitetônico fluminense, foi colocado à venda pela administradora imobiliária São Carlos, do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. O edifício fora comprado em 2003 do antigo Banco de Crédito Nacional – incorporado ao Bradesco, que se tornara proprietário após a quebra da Mesbla. Agora, o prédio 56, com suas varandas e linda vista para o Aterro e para o Mar, foi vendido. A edificação – exceto a imensa loja – que fica na frente do Passeio Público, na Cinelândia, passará de corporativa para residencial pelas mãos dos seus futuros proprietários, através do programa Reviver Centro, retomando, assim, à sua vocação original. O número 42 ainda permanece corporativo e está quase que totalmente ocupado por grandes empresas. Com projeto do francês Henri Sajous, o mesmo arquiteto do elegante Biarritz, da Praia do Flamengo, na Zona Sul; o antigo Mesbla foi desenhado há 91 anos para ser um prédio residencial, em cima do imenso magazine. Apesar do mistério da São Carlos sobre o comprador da edificação, o jornal O Globo informa que se trata da incorporadora Inti Empreendimentos, que atua mais na Zona Sul da cidade. Em conversa com o veículo, o sócio-diretor da incorporadora, Andre Kiffer, confirmou a transação, acrescentando que, em abril, o residencial deve ser lançado, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 120 milhões depois do o retrofit. O prédio é tombado. Com a venda, a São Carlos deve embolsar R$ 21,7 milhões, além de receber 30% do potencial construtivo em bairros valorizados da capital, conforme as contrapartidas previstas no Reviver Centro, que serviram pra alavancar as transformações de uso na região central. O objetivo da empresa é comercializar esse potencial no mercado. Rebatizado como Passeio 56, o antigo Edifício Mesbla teve a sua conversão para residencial aprovada pelo Reviver Centro com um projeto preparado pela São Carlos, em 2023. O imóvel é tutelado pelo Instituto ario Patrimônio da Humanidade, da Prefeitura. Na ocasião, a companhia já procurava um comprador para o prédio. Inicialmente, segundo fontes do mercado, a pedida era de 60 milhões de reais. Agora vendido, com a licença emitida, permite-se a criação de 122 apartamentos e duas unidades comerciais, somando 15,5 mil m² de área total construída (ATC). Em entrevista ao jornal O Globo, o CEO da São Carlos, Gustavo Mascarenhas, ressaltou que a presença de elementos, como a sacada, representa um elemento arquitetural para a conversão em prédio de apartamentos. Com o empreendimento, a carteira carioca da São Carlos inclui imóveis, como o Centro Empresarial Visconde de Ouro Preto, na Praia de Botafogo; o Centro Administrativo Cidade Nova; o antigo Edifício Generalli, na esquina de Rio Branco com Sete de Setembro e o City Tower (antiga sede do Citibank), em frente ao Largo da Carioca. Já a loja, que ocupa o térreo dos dois prédios, continuará sendo de propriedade da São Carlos. No local funcionou a saudosa Mesbla, de 1950 até 1999. No alto do edifício, o letreiro luminoso com nome da loja de departamentos habitou o horizonte carioca. Após o fechamento da Mesbla, entrou uma gigante do varejo como locatária: a Americanas, controlada pelos mesmos donos da São Carlos, e que desocupou o imóvel em 2023, quando estourou a crise que derrubou a tradicional marca popular. Após o Reviver Centro, a região se tornou a queridinha de moradores e investidores graças aos projetos tipo “estúdio” que passaram a ser oferecidos e facilidades, como proximidade ao metrô e ao Santos Dumont. Desde 2021, o programa municipal concedeu 42 licenças para a região central da cidade, a maioria para retrofits. Um dos exemplos é a Brookfield, gestora canadense que vai revitalizar o Edifício Glória, na Cinelândia, e colocar as unidades residenciais para locação. A empresa comprou ainda 97% dos apartamentos do futuro residencial, que funcionará no antigo Edifício A Noite, na zona portuária, cujo retrofit está a cargo da Azo. Nas proximidades está o Casa Mauá, lançado pelo Opportunity no fim de 2023, onde funcionava o Hotel São Francisco, da Rede Atlântico de Hotéis. Na Pedra do Sal, a redação de um dos jornais de Assis Chateaubriand foi retrofitada pela construtora CTV e pela gestora Pilar Capital. As empresas pretendem fazer o mesmo com a antiga sede da Companhia Docas no Rio, na Rua Acre, que acabam de comprar. Atualmente, a empresa é avaliada em quase R$ 1 bilhão na Bolsa. Nos últimos anos, a São Carlos tem realizado diversas transações para reduzir a alavancagem do seu balanço. No fim de 2023, a empresa vendeu de uma vez quatro prédios no Rio e em São Paulo. As transações somaram R$ 865 milhões. Entre as vendas estavam o Centro Empresarial Botafogo (CEB), na Zona Sul do Rio; e a Morumbi Office Tower (MOT). “Aquela transação foi transformadora. Agora temos um balanço saudável e o que buscamos com eventuais operações é o retorno financeiro. No caso do Centro do Rio, ainda não estamos avaliando novas aquisições; estamos focados em melhorar a operação do portfólio e vender ativos que gerem valor para nossa carteira na região”, explicou Gustavo Mascarenhas. Fonte: Site Diário do Rio Outras Notícias
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